Turris eburnea

Adalberto de Queiroz recita o poema “Turris eburnea”, de Afonso Félix de Sousa.

TURRIS EBURNEA

Foram degraus
e degraus
e degraus
e aqui estou
senhora
no alto
da torre

Céu limpo
e eu limpo
do pó das ruas
assim purificado
senhora
aqui eu só espero
que venhas

Enfim sós e longe
de tudo
e embalados em rede
de nuvem
que senhora farra
faremos
senhora

Enfim sós e longe
de tudo
e sentado a uma mesa
de nuvem
com que versos mais belos
senhora
vou falar do mundo
ao mundo

Por que me trazes
senhora
à janela
da torre?
Não vês
que aquele lá embaixo
crucificado
nos cruzamentos
das ruas
sou eu
senhora?
Não vês
como me jogam
as ruas
pra lá e pra cá
e como de mim fazem
gato e sapato
senhora?

Foram degraus
e degraus
e degraus
para chegar ao alto
da torre
e a torre
senhora
não existia

Afonso Felix de Sousa. “Itinerário Leste & outros poemas.”

 

 

2 comentários sobre “Turris eburnea

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